Outubro 31, 2004

Atreveram-se:

Celulivros pra você ler - Celulivros pra você presentear

O Brasil é um país em que não se lê. Falta tempo, falta dinheiro, falta hábito, falta incentivo público.

O projeto Celuler faz um trabalho de "formiguinha", levando poesias e afins em doses homeopáticas ao dia-a-dia dos brasileiros.

Permita que a literatura invada a sua vida, e das pessoas a quem você queira presentear.

Você escolhe entre os autores disponíveis e o Celuler envia diariamente um texto escrito por ele, por meio de mensagens de texto SMS.

Existem 3 formas de se adquirir a obra do autor escolhido:

Celulivros Coletânea - textos já publicados em livros, revistas, jornais e outros meios de divulgação. Você adquire cada obra isoladamente e recebe os textos durante um período pré-definido.

Celulivros Inéditos - textos inéditos, contratados isoladamente, com recebimento por um período pré-definido.

Celulivros Sem Fim -Textos inéditos. São contratados através de assinatura mensal, que você pode ir renovando, recebendo a obra do autor indefinidamente.


para mais detalhes acesse: Celuler

REGINA BONAVITA - 6:47 PM

Atreveram-se:

Que tal ouvir algo diferente??

Nas minhas andanças pela net descobrir um cara algo que vale a pena a gente conhecer, ou melhor dizendo, ouvir.
Eu recomendo que dêem um pulo no site do Marcos Quelhas no endereço abaixo e depois digam o que acharam.

Marcos Quellas

REGINA BONAVITA - 2:01 AM

Outubro 29, 2004

Atreveram-se:

Conheci Anaïs por sua obra erótica ( Delta de Vênus) e daí segui para Henry & June e mais alguns diários.
Selecionei trechos do pensamento de Anaïs Nin que considerei particularmente interessantes. Com alguns eu concordo e me identifico totalmente, outros nem tanto. Confiram, abaixo, e depois me contem o que acharam:


Sobre a arte de escrever:

Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso respondê-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.

"(...) Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem no labirinto. Para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados. Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam seus rituais. Se você não respira quando escreve, não grita, não canta, então não escreva porque sua literatura será inútil. Quando não escrevo meu universo se reduz; sinto-me numa prisão. Perco minha chama, minhas cores. Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades - é a isto que eu chamo respirar".

Sobre a mulher do futuro em uma conferência apresentada em 1974:
A mulher do futuro, que já começa a surgir, será completamente livre de toda culpabilidade diante da criação e do desenvolvimento da sua personalidade. Ela viverá em harmonia com sua própria força, sem passar por masculinizada, excêntrica ou antinatural. Imagino-a muito segura de sua força e de sua serenidade; ela saberá se dirigir aos homens e às crianças, que às vezes a temerão.







REGINA BONAVITA - 10:28 PM

Outubro 26, 2004

Atreveram-se:


Sylvia Plath

Ela estaria completando 72 anos no dia 27 de outubro. É natural de Boston, Massachusetts, EUA.
Na madrugada de 11 de fevereiro, comete suicídio. "Ariel" é publicado em 1965 e sua obra poética completa, "The Collected Poems", só será publicada em 1981. No ano seguinte, "The Collected Poems" recebe o prêmio Pulitzer na categoria poesia.

O SUICÍDIO

Como aconteceu a inúmero artistas, a poetisa americana só ficou conhecida verdadeiramente depois de sua morte. Nascida em Massachussetts, em 1932, apresentava tendências depressivas desde cedo, apesar do brilhantismo. Tentou se matar em 1953, dez anos antes do dia fatal. Com um casamento fracassado, após a separação sofreu uma insuperável deterioração mental, sucumbiu à depressão e na manhã de 11 de fevereiro de 1963, em Londres, Sylvia Plath deixou um bilhete para os filhos e abriu o gás de cozinha. Sua morte trágica apenas aumentou o mistério sobre a alma atormentada da escritora.

Pensei que Não Podia Ser Ferida

"Pensei que não podia ser ferida;
pensei que certamente era
impermeável ao sofrimento -
imune à dor mental
ou agonia.

Meu mundo era aquecido pelo sol de abril
meus pensamentos estavam recamados de verde e ouro;
minha alma transbordante de alegria, mas sentia
a pungente, doce dor que só a alegria
contém...

Então subitamente meu mundo ficou cinzento,
e a escuridão varreu minha alegria.
Restou um vazio fosco e dolorido
onde mãos descuidadas se estenderam para
destruir

minha prateada rede de felicidade..."

(do livro "Amarga Fama - Uma Biografia de Sylvia Plath", de Anne Stevenson, Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 1992)

(...) Ah, é duro para mim me reconciliar com isso tudo. Talvez por isso eu seja uma moça ¿ assim posso viver com mais segurança que os rapazes que conheci e invejei, ter filhos e instilar neles o desejo intenso de aprender e amar a vida que eu jamais chegarei a sentir plenamente, pois não há tempo, pois não há mais tempo, em vez disso há o medo súbito e desesperado, o relógio que bate e a neve que cai de repente demais após o verão. Certo, sou dramática e meio cínica, indolente e meio sentimental. Mas nos anos fáceis poderei amadurecer e descobrir meu caminho. Agora estou vivendo numa situação crítica. Estamos todos na beira do precipício, isso exige muito vigor, muita energia, seguir pela borda, olhar para baixo, ver a escuridão profunda sem ser capaz de identificar através da névoa amarelada e fétida o que jaz abaixo do lodo, na lama que escorre cheia de vômito; e assim sigo em frente, imersa nos meus pensamentos, escrevendo muito, tentando achar o centro, um significado para mim."

Trechos de Os Diários de Sylvia Plath 1950-1962.


REGINA BONAVITA - 10:48 PM

Outubro 24, 2004

Atreveram-se:

OSWALD DE ANDRADE


Falece em São Paulo, em 22 de outubro de 1954, na sua residência da rua Marquês de Caravelas, 214. É sepultado no jazigo da família, no cemitério da Consolação, em São Paulo (SP).



Tupi or not tupi - This is the question



Brasil

O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
¿ Sois cristão?
¿ Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê Tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
¿ Sim pela graça de Deus
Canhém Babá Canhém Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval

Relógio

As coisas são
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vêm
Não em vão
As horas
Vão e vêm
Não em vão

Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português

O Sul-Americano Calabar

Torcida indígena a favor de um imperialismo "civilizador". Leitor pequeno-burguês, não será você?
No Brasil há duas correntes de opinião: os que acreditam que a guerra holandesa acabou e os que sabem perfeitamente que ela continua, através de fundings, empréstimos e tomadas de poder por este ou aquele grupo calabarista.

66. Botafogo etc.

Beiramarávamos em auto pelo espelho de aluguel arborizado das avenidas marinhas sem sol. Losangos tênues de ouro bandeiranacionalizavam o verde dos montes interiores. No outro lado da baía a serra dos Órgãos serrava. Barcos. E o passado voltava na brisa de baforadas gostosas. Rolah ia vinha derrapava entrava em túneis. Copacabana era um veludo arrepiado na luminosa noite varada pelas frestas da cidade.



Oswald de Andrade (1890-1954) é um dos mais significativos autores modernistas da literatura brasileira. Participou da Semana de Arte Moderna, editou o jornal "O Homem do Povo" e ajudou a fundar "O Pirralho" e a "Revista Antropofágica". É de sua autoria o Manifesto Antropófago de 1928.



REGINA BONAVITA - 12:36 AM

Outubro 20, 2004

Atreveram-se:

França celebra os 150 anos do poeta Arthur Rimbaud

Elle est retrouvée!
Quoi? L' éternité.
C est la mar mêlée
Au soleil

Mon âme éternelle,
Observe ton voeu
Malgré la nuit seule
Et le jour en feu.

Donc tu te dégages
Des humains suffrages,
Des communs élans!
Tu voles selon...

Jamais l' ésperance.
Pas d' oríetur.
Science et patience,
Le suplice est sur.

Plus de lendemain,
Braises de satin,
Votre ardeur
C' ést le devoir.

Elle est retrouvée!
Quoi? L' éternité.
C' est la mer mêlée
Au soleil.

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.

Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então...

Jamais a esperança.
Sem movimento.
Ciência e paciência,
O suplício é lento.

Que venha a manhã,
Com brasas de satã,
O dever
É vosso ardor.

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.


Au Cabaret-Vert
cinq heures du soir


Depuis huit jours j' avais déchiré mes bottines
Aux cailloux des chemins. J' entrais à Charleroi.
Au Cabaret-Vert: je demandai des tartines
De beurre et du jambon qui fût à moitié froid.

Bienhereux, j' allongeai les jambes sous la table
Verte: je contemplai les sujets très naifs
De la tapisserie. Et ce fut adorable
Quand la fille aux tétons énormes, aux yeux vifs,

Celle-là! ce n' est pas un baiser qui l' épeure!
Rieuse, m' apporta des tartines de beurre,
Du jambon tiède, dans un plat colorié,

Du jambon rose et blanc parfumé d' une gousse
D' ail et m' emplit la chope immense, avec sa mousse
Que dorait un rayon de soleil arriéré.


Octobre 1870

No Cabaré-Verde
às cinco horas da tarde


Depois de oito dias, larguei as botinas
Pelo caminho. Eu entrei em Charleroi.
No Cabaré-Verde: pedi torradas finas,
Manteiga e presunto, que é frio o lugar.

Feliz, estiquei as pernas sob a mesa
Verde: e contemplei os toscos motivos
Da tapeçaria. E foi uma beleza
Quando a vi, enormes tetas, olhos vivos,

É ela! Não é um beijo que a apavora!
Risonha, trouxe a refeição na hora,
O presunto tostado, num belo prato,

O presunto róseo e branco perfumado
Pelo alho e encheu-me o copo ávido
De espuma brilhante como um raio de sol.


Outubro de 1870


REGINA BONAVITA - 11:44 PM

Outubro 19, 2004

Atreveram-se:

Amor - O Interminável Aprendizado
Affonso Romano de Sant'Anna


Criança, ele pensava: amor, coisa que os adultos sabem. Via-os aos pares namorando nos portões enluarados se entrebuscando numa aflição feliz de mãos na folhagem das anáguas. Via-os noivos se comprometendo à luz da sala ante a família, ante as mobílias; via-os casados, um ancorado no corpo do outro, e pensava: amor, coisa-para-depois, um depois-adulto-aprendizado.

Se enganava.

Se enganava porque o aprendizado de amor não tem começo nem é privilégio aos adultos reservado. Sim, o amor é um interminável aprendizado.

Por isto se enganava enquanto olhava com os colegas, de dentro dos arbustos do jardim, os casais que nos portões se amavam. Sim, se pesquisavam numa prospecção de veios e grutas, num desdobramento de noturnos mapas seguindo o astrolábio dos luares, mas nem por isto se encontravam. E quando algum amante desaparecia ou se afastava, não era porque estava saciado. Isto aprenderia depois. É que fora buscar outro amor, a busca recomeçara, pois a fome de amor não sabia nunca, como ali já não se saciara.

De fato, reparando nos vizinhos, podia observar. Mesmo os casados, atrás da aparente tranqüilidade, continuavam inquietos. Alguns eram mais indiscretos. A vizinha casada deu para namorar. Aquele que era um crente fiel, sempre na igreja, um dia jogou tudo para cima e amigou-se com uma jovem. E a mulher que morava em frente da farmácia, tão doméstica e feliz, de repente fugiu com um boêmio, largando marido e filhos.
Então, constatou, de novo se enganara. Os adultos, mesmo os casados, embora pareçam um porto onde as naus já atracaram, os adultos, mesmo os casados, que parecem arbustos cujas raízes já se entrançaram, eles também não sabem, estão no meio da viagem, e só eles sabem quantas tempestades enfrentaram e quantas vezes naufragaram.

Depois de folhear um, dez, centena de corpos avulsos tentando o amor verbalizar, entrou numa biblioteca. Ali estavam as grandes paixões. Os poetas e novelistas deveriam saber das coisas. Julietas se debruçavam apunhaladas sobre o corpo morto dos Romeus, Tristãos e Isoldas tomavam o filtro do amor e ficavam condenados à traição daqueles que mais amavam e sem poderem realizar o amor.

O amor se procurava. E se encontrando, desesperava, se afastava, desencontrava.

Então, pensou: há o amor, há o desejo e há a paixão.
O desejo é assim: quer imediata e pronta realização. É indistinto. Por alguém que, de repente, se ilumina nas taças de uma festa, por alguém que de repente dobra a perna de uma maneira irresistivelmente feminina.
Já a paixão é outra coisa. O desejo não é nada pessoal. A paixão é um vendaval. Funde um no outro, é egoísta e, em muitos casos, fatal.

O amor soma desejo e paixão, é a arte das artes, é arte final.

Mas reparou: amor às vezes coincide com a paixão, às vezes não.

Amor às vezes coincide com o desejo, às vezes não.

Amor às vezes coincide com o casamento, às vezes não.

E mais complicado ainda: amor às vezes coincide com o amor, às vezes não.

Absurdo.

Como pode o amor não coincidir consigo mesmo?

Adolescente amava de um jeito. Adulto amava melhormente de outro. Quando viesse a velhice, como amaria finalmente? Há um amor dos vinte, um amor dos cinqüenta e outro dos oitenta? Coisa de demente.

Não era só a estória e as estórias do seu amor. Na história universal do amor, amou-se sempre diferentemente, embora parecesse ser sempre o mesmo amor de antigamente.

Estava sempre perplexo. Olhava para os outros, olhava para si mesmo ensimesmado.

Não havia jeito. O amor era o mesmo e sempre diferenciado.

O amor se aprendia sempre, mas do amor não terminava nunca o aprendizado.

Optou por aceitar a sua ignorância.

Em matéria de amor, escolar, era um repetente conformado.

E na escola do amor declarou-se eternamente matriculado.

Texto extraído do livro "21 Histórias de amor", Francisco Alves Editora ¿ Rio de Janeiro, 2002, pág.11.

REGINA BONAVITA - 11:05 PM

Atreveram-se:

Meu Amor quero tanto um beijo teu
Daqueles que tiram o sentido
Que nos deixam sonhar, voar
Quero me perder em teus lábios
Envolver-me em teu gosto
Mergulhar em teus braços,
Acariciar teu rosto
Quero poder me entregar
Minha tentação, minha mais pura ilusão
Vem me beija, assim como quando o sol se põe e beija a terra
Ah! me dê teu beijo!
Quero sentir seu cheiro
Onde está você....

REGINA BONAVITA - 1:04 AM

Outubro 15, 2004

Atreveram-se:

Não sou areia

Não sou areia
onde se desenha um para de asas
ou grades diante de uma janela.
não sou apenas a pedra que rola
na marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério.

A quatro mãos escrevemos o roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

Lya Luft

REGINA BONAVITA - 9:08 PM

Atreveram-se:

Sonetos que não são
de Hilda Hilst


Aflição de ser eu e não ser outra.

Aflição de não ser, amor, aquela

Que muitas filhas te deu, casou donzela

E à noite se prepara e se adivinha



Objeto de amor, atenta e bela.

Aflição de não ser a grande ilha

Que te retém e não te desespera.

(A noite como fera se avizinha.)



Aflição de ser água em meio à terra

E ter a face conturbada e móvel.

E a um só tempo múltipla e imóvel



Não saber se se ausenta ou se te espera.

Aflição de te amar, se te comove.

E sendo água, amor, querer ser terra.

( Roteiro do Silêncio(1959) - Sonetos que não são - I)




REGINA BONAVITA - 8:31 PM

Outubro 13, 2004

Atreveram-se:

Morre no Rio, aos 80 anos, o escritor Fernando Sabino




O escritor mineiro Fernando Sabino, 80, morreu às 13h de hoje em sua casa em Ipanema (zona sul no Rio de Janeiro), vítima de câncer no fígado. Sabino completaria amanhã 81 anos

Como comecei a escrever

Quando eu tinha 10 anos, ao narrar a um amigo uma história que havia lido, inventei para ela um fim diferente, que me parecia melhor. Resolvi então escrever as minhas próprias histórias.

Durante o meu curso de ginásio, fui estimulado pelo fato de ser sempre dos melhores em português e dos piores em matemática - o que, para mim, significava que eu tinha jeito para escritor.

Naquela época os programas de rádio faziam tanto sucesso quanto os de televisão hoje em dia, e uma revista semanal do Rio, especializada em rádio, mantinha um concurso permanente de crônicas sob o titulo "O Que Pensam Os Rádio-Ouvintes". Eu tinha 12, 13 anos, e não pensava grande coisa, mas minha irmã Berenice me animava a concorrer, passando à máquina as minhas crônicas e mandando-as para o concurso. Mandava várias por semana, e era natural que volta e meia uma fosse premiada.

Passei a escrever contos policiais, influenciado pelas minhas leituras do gênero. Meu autor predileto era Edgar Wallace. Pouco depois passaria a viver sob a influência do livro mais sensacional que já li na minha vida, que foi o Winnetou de Karl May, cujas aventuras procurava imitar nos meus escritos.

A partir dos 14 anos comecei a escrever histórias "mais sérias", com pretensão literária. Muito me ajudou, neste início de carreira,ter aprendido datilografia na velha máquina Remington do escritório de meu pai. E a mania que passei a ter de estudar gramática e conhecer bem a língua me foi bastante útil.

Mas nada se pode comparar à ajuda que recebi nesta primeira fase dos escritores de minha terra Guilhermino César, João Etienne filho e Murilo Rubião -- e, um pouco mais tarde, de Marques Rebelo e Mário de Andrade, por ocasião da publicação do meu primeiro livro, aos 18 anos.

De tudo, o mais precioso à minha formação, todavia, talvez tenha sido a amizade que me ligou desde então e pela vida afora a Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, tendo como inspiração comum o culto à Literatura.
Fernando Sabino

REGINA BONAVITA - 8:09 PM

Atreveram-se:

CLARISSE LISPECTOR

Doçura



Nasci dura, heróica, solitária e em pé.
E encontrei meu contraponto na paisagem sem pitoresco e sem beleza.
A feiúra é o meu estandarte de guerra.
Eu amo o feio com um amor de igual para igual.
E desafio a morte.
Eu - eu sou a minha própria morte.
E ninguém vai mais longe.
O que há de bárbaro em mim procura o bárbaro e cruel fora de mim.
Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira.
Sou uma árvore que arde com duro prazer.
Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo.
Eu amo a minha cruz, a que doloridamente carrego.
É o mínimo que posso fazer de minha vida: aceitar comiseravelmente o sacrifício da noite.


Não entendo


Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Um Objeto Não Identificado Das Letras Brasileiras"

... eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade."


REGINA BONAVITA - 8:02 PM

Seu nome: Regina
Signo: Gêmeos
Cidade: São Paulo
Profissão: Artista Plástica


reginabonavita@globo.com



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