Maio 31, 2005

Atreveram-se:



Ternura

Vinicius de Moraes


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
[ extático da aurora.


Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.


Ausência


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

in "Antologia Poética"

O mais-que-perfeito


Ah, quem me dera ir-me
Contigo agora
Para um horizonte firme
(Comum, embora...)
Ah, quem me dera ir-me!

Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que não presumes...
Ah, quem me dera amar-te!

Ah, quem me dera ver-te
Sempre a meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais: cuidado...
Ah, quem me dera ver-te!

Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te
Morar-te até morrer-te...


in "Para viver um grande amor (crônicas e poemas)"

REGINA BONAVITA - 11:11 PM

Maio 22, 2005

Atreveram-se:



Trecho de 'Chá', de Marcelino Freire

PIOROU. HÃ? PIOROU. HUM? PIROU, PIROU. Xaropou. Não diz coisa. Com coisa. A bolacha. Nada com nada. Coitado! Hã? Coitado! Fulminante. Deu derrame. A bolacha. Passa. Ficou caduquinho. Tira a roupa. O quê? Não estou ouvindo. Dizem que fica nuzinho. Nu? Nuzinho. Hum, hum. Deve ficar uma graça. Nuzinho. Só tem osso. De quê? Camomila. Hã? Não ouço. Ca-mo-mi-la. Obrigado. É a vida. É a vida. E o que disse o neto? Vovô não volta. Hum? Não tem melhora. E agora? A manteiga. Está bom, está bom. Chega. Um pouco quente. De repente, não foi? Foi. De repente. Pode acontecer com qualquer. Hum, hã? Passa a colher. Pois é. Torta. A língua caída. Molenga. Lembra do outro? Lembra? Biscoito-fino. Quando viu já estava morto. Pimba! Pumba! Com a cara no chão. A bruxa anda solta. Meu Deus! O quê? Eu disse que a bruxa anda solta. Lá vem ela. Hum, hum. Hoje vamos fazer uma homenagem. Mais alto. Uma homenagem. O discurso de sempre. Argh! Nem morreu. Amigos. Hum, hum. E nhec, nhec. Amém. Plec. É possível que ele não resista. Não resista. Blá-blá-blá. Já não estava lá essas coisas. Lembra? Hã? Lembro. Mais um pouco. Obrigado. Não reconhece ninguém. Nunca foi o forte dele. O quê? Nunca foi o forte dele. Reconhecer. É. Hum. Sei que não é hora. Isso não é hora. De falar de boca cheia. Hã, hein? Rezemos. Agora mais essa. Lá vem ela. Pai-Nosso. Nunca foi um santo. Santificado seja o vosso nome. Ateu. Silêncio. Parece que nunca leu o que ele escreveu. Hã? O pão nosso de cada dia nos dai. Flump. Vapt. Hum. Hum. Nhec. De quê? Hã? Frutas vermelhas. Fru-tas ver-me-lhas. Não tem jasmim? É o fim. Agradecido. É o fim. E o doce? O que é que tem? Cadê o docinho? Nhec, nhem, nhum. E o que mais? Xiii. Mija em tudo que é lugar. Eu disse que ele mija em tudo que é lugar. Triste. O neto disse também. Hã, hein? O neto disse também que ele está tão mal. Mas tão mal que anda comendo. Posso falar? O quê? Pirou. Hum, hum. Excremento. Como? Cocô. Como? Torcilhão. Argh! Veja bem. Não é coisa de falar à mesa, uma indelicadeza. Eu avisei. O quê? Eu avisei. Avisou? Rã. Coitado! Que coisa! Meu Deus! De que é? Fios de ovos. Uma delícia, delícia. Obrigado. Esse não vai longe. Não vai. O guardanapo voou. Meu guardanapo voou. Aqui, ó. Voou. Agora deu para ver fantasmas. O quê? Agora ele deu para ver fantasmas. Fantasmas? Espectros. Fica apontando para o teto. Machado, Machado, Machado. Fica chamando pelo Machado. O outro pelos anjos do Augusto. Lembra? Credo! Sei não. Desta semana ele não passa. Não passa. Uma pena! Lamentável! Vai deixar uma grande obra. O quê? Eu disse que ele vai deixar uma grande obra. É. No meio do caminho tinha uma minhoca. E agora? Hã? E agora, o que a gente vai fazer? Comer. Hum, hum. E beber. O que tem de gente querendo entrar. É. Criticam, criticam. Mas querem participar. Hã? Deste nosso chá. De quê? De rosas. Chá de quê? De rosas. Todo mundo já está de olho na cadeira dele. Na cadeira dele. O quê? Eu disse cadeira de rodas.

Fonte: Globo Online

REGINA BONAVITA - 9:05 PM

Maio 15, 2005

Atreveram-se:



Antonin Artaud: Loucura e Lucidez

Atormentado, louco, sensível, romântico, era um homem complicado e costumava andar sozinho. Aos 15 anos começou a tomar ópio para aliviar suas terríveis dores de cabeça, depois teve crises de depressão, passou por sanatórios e nunca mais conseguiu se livrar da droga.
Freqüentou os bares de Paris durante a grande festa da geração perdida nos anos 20 e 30, mas não badalava, costumava se sentar no balcão só. Sentia-se feliz em seu mundo de alucinações.
Escritor, ator, dramaturgo, poeta maldito e visionário, nos anos 30 concebeu um teatro onde não haveria nenhuma distância entre ator e platéia, todos seriam atores e todos fariam parte do processo, ao mesmo tempo.
Queria devolver ao teatro a mágica e o poder do contágio. Queria que as pessoas despertassem para o fervor, para o êxtase. Sem diálogo, sem análise. O contágio estabelecido pelo estado de êxtase. Uma vez abolido o palco, o ritual ocuparia o centro da platéia.
Esse era o Teatro da Crueldade de Artaud.
Artaud foi encontrado morto em 4 de março de 1948, em seu quarto do hospício de Ivry, bairro de Paris. Estava aos pés da cama com um sapato na mão.
Depois da morte passou a ser festejado como o homem que fez explodir os limites da vanguarda ocidental e até hoje ninguém o superou em seus conceitos e em sua loucura. A mesma violência agressiva que o prejudicou e o afastou de seu tempo produziu o sucesso póstumo de suas idéias e sua atual influência no teatro contemporâneo.



Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaud
e basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
hão de ver meu corpo
atual,
voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
diversos.
Um novo corpo
no qual nunca mais
poderão esquecer.

Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre morto.

Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto
Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.

Eu represento totalmente a minha vida.

Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu
espírito.
Não concebo uma obra de arte
dissociada da vida.

Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseille
no dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.

"Pelo crivo dos vossos
diplomas passa uma
juventude abatida,
perdida".

Antonin Artaud (1896 - 1948)

O Dramaturgo Antonin Artaud e o pintor Vincent Van Gogh tem em comum o fato de tem sido internados em instituições asilares. A obra e a vida do pintor inspiraram Artaud no ensaio poético Van Gogh, o Suicidado pela Sociedade. Confira trecho logo abaixo:

"Pode-se falar da boa saúde mental de Van Gogh, que em toda a sua vida apenas assou uma das mãos e, fora isso, limitou-se a cortar a orelha esquerda numa ocasião. Num mundo no qual diariamente comem vagina assada com molho verde ou sexo de recém-nascido flagelado e triturado, assim que sai do sexo materno. E isso não é uma imagem, mas sim um fato abundante e cotidianamente repetido e praticado no mundo todo.
E assim é que a vida atual, por mais delirante que possa parecer esta afirmação, mantém sua velha atmosfera de depravação, anarquia, desordem, delírio, perturbação, loucura crônica, inércia burguesa, anomalia psíquica (pois não é o homem, mas sim o mundo que se tornou anormal), proposital desonestidade e notória hipocrisia, absoluto desprezo por tudo que tem uma linguagem e reivindicação de uma ordem inteiramente baseada no cumprimento de uma primitiva injustiça; em suma, de crime organizado. Isso vai mal porque a consciência enferma mostra o máximo interesse, nesse momento, em não recuperar-se da sua enfermidade. Por isso, uma sociedade infecta inventou a psiquiatria, para defender-se das investigações feitas por algumas inteligências extraordinariamente lúcidas, cujas faculdades de adivinhação a incomodavam.
E o que é um autêntico louco? É um homem que preferiu ficar louco, no sentido socialmente aceito, em vez de trair uma determinada idéia superior de honra humana. Assim, a sociedade mandou estrangular nos seus manicômios todos aqueles dos quais queria desembaraçar-se ou defender-se porque se recusavam a ser cúmplices em algumas imensas sujeiras. Pois o louco é o homem que a sociedade não quer ouvir e que é impedido de enunciar certas verdades intoleráveis."


leia mais: http://geocities.yahoo.com.br/wumpscutproject/artaud.htm
http://www.artaud.net/frame2.htm
http://www.docmartine.com/artaud/

REGINA BONAVITA - 9:39 PM

Maio 13, 2005

Atreveram-se:

A canção do Africano
Castro Alves



Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto o braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão...

De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez, pr'a não o escutar!

"Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!

"O sol faz lá tudo em fogo,
Faz em brasa toda a areia;
Ninguém sabe como é belo
Ver de tarde a papa-ceia!

"Aquelas terras tão grandes,
Tão compridas como o mar,
Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de pensar...

"Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro;
A gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro".

O escravo calou a fala,
Porque na úmida sala
O fogo estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
P'ra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar!
.............................
O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.

E a cativa desgraçada
Deita seu filho, calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!

Recife, 1863.


Publicado no livro A cachoeira de Paulo Afonso: poema original brasileiro (1876).

In: ALVES, Castro. Obra completa. Org. e notas Eugênio Gomes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986


O Navio Negreiro, Tragédia no Mar (VI)

E existe um povo que a bandeira empresta
Pr'a cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?!...
Silêncio!... Musa! chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto...

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança...
Tu, que da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu na vaga,
Como um íris no pélago profundo!...
...Mas é infâmia de mais... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo...
Andrada! arranca este pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta de teus mares!

São Paulo, 18 de abril de 1868.


Publicado no livro A cachoeira de Paulo Afonso: poema original brasileiro (1876).





ENFIM, LIVRES. MAS E DAI?...

REGINA BONAVITA - 4:07 PM

Maio 10, 2005

Atreveram-se:



Poema Erótico

Teu corpo claro e perfeito,
- Teu corpo de maravilha
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...

Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa... flor de laranjeira...

Teu corpo branco e macio
É como um véu de noivado...
Teu corpo é pomo doirado...

Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...

Teu corpo é a brasa do lume...

Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes...

É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama...

Volúpia de água e da chama...

A todo momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...

Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira...

Manuel Bandeira

Corpo de mulher


Corpo de mulher, alvas colinas, coxas brancas,
ao mundo te assemelhas em teu ato de entrega.
O meu corpo selvagem de camponês te escrava
e faz saltar o filho das entranhas da terra.
Fui um túnel vazio. De mim fugiam pássaros
e a noite me infiltrava sua invasão resoluta.
Para sobreviver forjei-te qual uma arma,
uma flecha em meu arco e pedra em minha funda.
Tomba porém a hora da vingança e eu te amo.
Corpo de pele e musgo, de leite ávido e firme.
Ah os vasos do peito! Ah os olhos de ausência!
Ah as rosas do púbis! Ah tua voz lenta e triste!
Corpo de mulher minha, persisto em tua graça.
Minha ânsia sem limites, meu caminho indeciso!
Sulcos escuros onde a sede corre,
onde a fadiga corre, e a dor, este infinito.

Pablo Neruda

Fotos de:
Philippe Pache


Da sedução dos anjos



Anjos seduzem-se: nunca ou a matar.
Puxa-o só para dentro de casa
e mete-lhe a língua na boca e os dedos sem frete

Por baixo da saia até se molhar
Vira-o contra a parede, ergue-lhe a saia
E fode-o. Se gemer, algo crispado
Segura-o bem, fá-lo vir-se em dobrado

P'ra que do choque no fim te não caia.
Exorta-o a que agite bem o cu
Manda-o tocar-te os guizos atrevidos
Diz que ousar na queda lhe é permitido

Desde que entre o céu e a terra flutue
-Mas não o olhes na cara enquanto fodes
E as asas, rapaz, não lhas amarrotes.

(Tradução de Aires Graça)

Bertolt Brecht

REGINA BONAVITA - 11:45 PM

Maio 8, 2005

Atreveram-se:

A arte de Hanna Barbera




Época da TV preto & branco, onde "Cavaleiros do Zodíaco" eram "Cavaleiros das Arábias", "Os Simpsons" eram "Os Flintstones".

Ainda tenho na memória aqueles momentos mágicos das figuras animadas. Sentada no sofá da sala, olhos grudados na telinha e muitas gargalhadas quando um urso com chapéu em forma de torta, surrupiava uma cesta de piquenique ou quando um cavalo mascarado de capa e violão gritava ¿Cabong¿ desarmando qualquer vilão, apenas com uma paulada da sua poderosa arma na cabeça. O gato malandro, chefe de um grupo de 5 amigos felinos, dava muita dor de cabeça para o guarda Belo que em vão tentava expulsar Manda-Chuva e sua turma do beco onde morava.




Independente de sua longevidade como uma equipe, Hanna Barbera conquistou seu status como uma história americana de sucesso, numa época em que a animação para televisão era considerada nada realista e contraproducente. Desenvolveram e aperfeiçoaram suas técnicas. Tornaram possível produzir um grande número de desenhos animados todas as semanas.

Várias gerações de jovens dos anos 60 desenvolveram uma crescente parcela de afeição e entusiasmo por um destemido urso do parque Jellystone. Não é exagero declarar que Bill Hanna e Joe Barbera mudaram para sempre a face da nossa TV.



Desenvolveram uma nova forma de humor que condizia com os menos pacientes e mais bem informados. Rápido, básico e sem enfeites, eles projetaram as sutilezas da animação com muita sátira e vários truques. Hanna Barbera sentiu que os jovens e seus "pais" que assistiam a Dom Pixote respondiam apreciativamente, e aqueles que usavam o imaginário ao assistir Pepe Legal reconheciam sua alegre sátira às trama de faroeste concebidas pelos produtores de filmes. Encontraram mais motivos para rir das artimanhas dos suburbanos da Idade da Pedra Fred e seu amigo Barney, cujas vidas tão coincidentemente fariam com que eles se espelhassem no século XX.
Quando é que a magia começou? Em que momento no tempo aqueles dois homens de experiências completamente diferentes iniciaram uma parceria criativa que sobreviveu por meio século?
Por sua própria conta, nenhuma faísca centelhou, nenhuma chama iluminou os céus, quando eles se encontraram pela primeira vez em 1937 no novo departamento de desenhos animados da MGM.
Havia respeito mútuo e admiração, mais nada.
Com o passar de um ano, sentaram-se em carteiras frente a frente e mesclaram seus talentos para criar a estória de um gato chamado Tom e um pequeno, mas porém esperto, rato chamado Jerry. O resto é animação e a magia, que se estenderam por duas décadas. Mais tarde se transformou num mundo de desenhos, habitado por personagens como Dom Pixote, Zé Colmeia, Fred Flintstone, Wally Gator, Touché, Matraca Trica, Os Impossíveis, Manda Chuva, Pepe Legal, Penélope Charmosa, e muito, muito, muito mais!!!


Texto extraído do livro
The Art of Hanna Barbera
by Ted Sennett
tradução: Rodrigo Palhares




Leia mais:
http://www.hannabarbera.com.br

REGINA BONAVITA - 9:25 PM

Maio 5, 2005

Atreveram-se:


Relaxando um pouco com puzzle





REGINA BONAVITA - 12:28 AM

Maio 2, 2005

Atreveram-se:

Que tipo de gênio insano você é?


O tipo que faço é esse:





Faça você também Que
gênio-louco é você?
Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia




STANLEY KUBRICK (1928-1999)

Muita gente acha que Stanley Kubrick é inglês, por dois fortes motivos: algumas de suas obras mais famosas foram produzidas na Inglaterra e toda a sua filmografia foge - às vezes se choca - com a estética de Hollywood. Mas Kubrick é americano. Aos 17 anos, graças aos ensinamentos de seu pai, já trabalhava como fotógrafo da revista Look. Certamente este início profissional influenciou seus filmes, que dependem bastante do visual para que a história seja contada.
Sem conseguir tocar novos projetos, acabou substituindo Anthony Mann na direção de "Spartacus", filme que não o agrada muito, mas que contém cenas de batalha impressionantes. Antes de se exilar na Inglaterra, ainda faz Lolita, baseado em Nabokov, mais uma vez gerando escândalo e atraindo a fama de cineasta perigosamente radical (ou imoral). Seguiram-se "Doutor Fantástico", farsa muito bem humorada sobre a bomba e o fim do mundo, em que Peter Sellers demonstra sua versatilidade e seu gênio humorístico, e 2001- Uma odisséia no espaço, o maior clássico do cinema de Ficção Científica de todos os tempos.

Sua trilogia de clássicos é coroada por "Laranja mecânica", que esteve proibido no Brasil e depois foi liberado com as famosas "bolinhas pretas", que perseguiam as "partes pudentas" dos atores enquanto eles se movimentavam na tela. Quem viu nunca esquecerá. "Laranja mecânica" é um estudo sobre a amoralidade do ser humano, que não consegue administrar seus instintos frente a uma civilização igualmente incapaz de administrar suas contradições sociais. O filme é muito violento e tem uma das melhores trilhas sonoras da história do cinema. Aliás, Kubrick sempre demonstrou uma ousadia imensa na confecção do som de seus filmes, jamais se permitindo a solução fácil da música incidental que automaticamente sublinha o contexto dramático de cada cena. Kubrick, assim como brinca com a imagem, brinca com o som.
Kubrick era, enfim, um rebelde. Fazia o filme que queria, do jeito que queria. Preferia não filmar a filmar o que não lhe agradava, Preferia ser chamado de imoral a ser chamado de omisso. Kubrick nunca fez um filme que não dissesse alguma coisa. Kubrick era um discurso, que às vezes até podia soar ambíguo, mas era sempre coerente. Sua morte é uma perda irreparável para o cinema mundial.


REGINA BONAVITA - 3:42 PM

Seu nome: Regina
Signo: Gêmeos
Cidade: São Paulo
Profissão: Artista Plástica


reginabonavita@globo.com
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